Casa de Manuel Serrano (esquerda), frente à Câmara Municipal de Mação (direita).

O VINHO DOS SERRANOS

A vinha dos Serranos estava na sua maioria confinada à Vinha das Chãs, em Mação, que era dividida em duas fações pela estrada principal que liga Mação ao Pereiro, atualmente Rua Comandante Manuel Marques, encontrando-se hoje esta zona praticamente toda urbanizada, despontando apenas algumas raras cepas por entre os jardins privados, memórias da vinha de outrora.

Ora, as Chãs estavam, assim, divididas em duas. As Chãs do lado esquerdo, Poente, pertencentes ao Ilustre etnógrafo maçanico Francisco Serrano (1842-1941), e as Chãs do lado direito, Nascente, pertencentes ao seu irmão Manuel Serrano.

A vinha de Manuel Serrano tinha o lagar de vinho mesmo no meio da vinha, possuindo poço com água própria, sendo o vinho armazenado, em instalações frente à Câmara Municipal de Mação.

É de notar, como curiosidade, que o poço de Manuel Serrano alimentava o poço do irmão Francisco Serrano que não tinha água própria, através de um túnel que passava por baixo da estrada.

O vinho era, então, comercializado em Mação, sendo um vinho muito graduado e apreciado pelos comerciantes de vinho e pelos proprietários das tascas e afins, pois podia ser “baptizado” (dobrado com água) sem problemas, mantendo uma graduação aceitável para venda aos seus clientes finais.

É desta altura, finais do sec. XIX, que se supõe a existência de um pipo de Chave Dourada, pertencente a este ramo dos Serranos. Não se sabendo, no entanto, ao certo se seria mais antigo ou não.

(Este pipo ainda existia nas Caves Cardoso, em Aldeia de Eiras, no virar do sec. XX para o sec. XXI.)

Manuel Serrano teve cinco filhos, mas foram as duas filhas, Deolinda Serrano e Purificação Serrano, que mantiveram a tradição do Vinho da Chave Dourada.

Foi no entanto a única neta de Manuel Serrano, Maria Helena, filha de Maria Augusta Serrano Marques e Joaquim Bento Marques, que, naturalmente, como única sobrinha e em permanente convivência com as suas tias continuou a tradição do Vinho da Chave Dourada.

Maria Helena Serrano Marques casou com Artur Tavares Cardoso, um dos fundadores da Casa Cardoso de Aldeia de Eiras, construída conjuntamente com o seu Irmão Joaquim Cardoso, quando a família Cardoso ainda detinha unidades industriais e interesses comerciais em África, no antigo Congo Belga.

Foi assim que, por razões logísticas, o pipo existente em Mação foi transferido para Aldeia Eiras, mantendo-se assim aí, nas Caves Cardoso, a tradição do Vinho da Chave Dourada.